segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Pânico no fusquinha

É incrível como me desconcentro rápido. Estava empolgada pra escrever mas já perdi toda essa concentração. Mas vou tentar mesmo assim.

Minha mãe vive dizendo que me admira e que me acha muito corajosa estou sempre enfrentando meus medos, sabem o que isso significa?
Que eu sou bastante medrosa.

Essa semana foi de conquistas e dificuldades muito grandes pro meu coração, tive uma crise de pânico feia depois de tantos anos, (antes de tomar remédio foi a última), cheguei a ponto de sentir que ia desmaiar. Tive faringite, tomei antibióticos e isso me deixou com muitas afta na garganta, que me deixou com a sensação de sufoco. Fora isso, depois de muito tempo que não tinha asma por nervoso tive quinta-feira, um dia antes da minha crise. o meu namorado tava com febre e não se sabia porque.
Sexta o dia do acontecimento tive asma ´por motivos de ansiedade, sensação de sufocamento no meio do trânsito de São Paulo, dentro de um fusquinha azul, resultado: deixei minha mãe nervosa, queria respirar para me aclamar e quando mais eu tentava mais me faltava ar e então ficava com mais medo.
Consegui não gritar, mas em compensação meu corpo todo reagiu com formigamento, minhas mão focaram duras e já estava quase perdendo os sentido, minha mãe quase bateu o carro na 23 de maio, e começamos a cantar um hino e comecei me acalmar.
Observação muito importante que só agora estou me dando conta, não fiquei envergonhada depois.


Tá isso foi um acontecimento que pode ter sido isolado como pode não ser também, acontece que passei o fim de semana fritando meu cérebro e e sofrendo com medo de que tivesse que voltar a tomar remédio, "não quero ter pânico de novo, mas também não quero correr o risco", esse era meu constante pensamento.
A dúvida do Tomar ou não tomar o remédio volta a assombrar?
Não quero tomar decisões precipitadas então antes de voltar pro médico dizendo que estou ficando biruta e vou descansar e amanhã eu penso sobre isso.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Começar pelo começo

Olha é a primeira vez que escrevo o título antes da postagem. Sabem o que isso significa? Hoje vou fazer valer a frase" Vou começar pelo começo".

Pois é, por enquanto só estou enchendo linguiça porque só de pensar o que quero escrever me dá uma canseira...

Parei de tomar anti-depressivos (tá mas isso não é o começo). Comecei a tomar antidepressivos ( também não é o começo). Ok quando eu tinha sete anos (agora sim)... Então vamos lá:

Lembro muito dessa idade mas não sei bem ao certo se eu tinha 7 anos, quando eu estava chorando com a minha mãe sentada na calçada esperando meu pai chegar. Nessa época meu pai trabalhava muito em uma multinacional e como meu pai trabalhava com máquinas pesadas, ele trabalhava fora do horário comercial, normalmente na madruga, naquela época não tínhamos celular, e minha madrecita e eu, duas neuróticas (vide lista de anormalzinhos "Sou mãe neurótica"), ficávamos esperando meu pai, com muita angústia como se ele não fosse voltar, chegamos a ir várias vezes até a empresa pra saber se ele estava bem. Carreguei isso até s dias atuais, mas estou bem melhor, bem melhor mesmo. Essas eram minhas crises de angustia.

Com nove anos tive minha primeira crise de pânico, estava toda minha família em casa feliz e contente, eu brincando de ser batucada pelos meus dois irmãs, quando puf, comecei a gritar dizendo que estava com falta de ar e ia morrer. Meu pai anjo-da-guarda que teve síndrome do pânico na juventude, sagaz disse: - Filhinha, corre pegar o chinelinho que a gente vai no médico.
Subi as escadas correndo, acho que quem está morrendo com falta de ar, não sobe correndo uma escada, ? Pois, é fomos ao hospital e o médico me acalmou, tinha só nove anos, pobrezinha de mim. E assim por diante comecei a ter diversas crises. Fui na terapia pela primeira vez. A psicóloga perguntou se eu sabia porque estava ali e eu realmente não sabia e foi o que respondi. Não sei quantas sessões foram, mas acho que não fizeram a mínima diferença.

Aos doze anos, fui a terapia de novo, daí eu lembro, fiquei um tempinho, só que sempre chorava quando saia da sessão, chorava tanto, durava uns quatro ou cinco dias e quando estava melhorando lá vinha outra sessão. Puxa não foi fácil. Teve um dia que disse que não queria mais, minha mãe entendeu e parei. Fiquei anos doente, jurando que era síndrome do pânico, mas recentemente descobri que não (mas isso não é começo e mais tarde eu conto). Tive muitas crises de pânico achando que estava morrendo com falta de ar. MAs tive crises muito piores...

Tive uma doença que também chamava de pânico que só de lembrar me cai lágrimas nos olhos, foi uma época de muito sofrimento, não tive adolescência, pelo menos não comum. Enfim, eu não queria viver, mas também não queria morrer, mas então o que fazer, eu não tinha pra onde ir, não podia morrer que não sei se estaria satisfeita, viver era terrível, meu maior desejo era não ter nascido. Mas desde peque na sempre tive muita fé, meu pai católico e minha mãe evangélica, cada um me levava pra uma igreja pra eu escolher. Escolhi a protestante e desde pequenininha, colocava o véu na cabeça e orava com muita fé. Sempre senti Deus muito próximo de tão ´próximo quase personificado e do meu lado sempre. E nesses momentos dessas dores tão terríveis e inexplicáveis, eu gritava dizendo que queria morrer, pedia pra minha mãe me bater. Que eu não aguentava mais, cheguei a me jogar da escada várias vezes sem perceber. Às vezes dormindo eu começava gritar nem assim eu tinha paz. Mas nunca esmoreci e sempre me ajoelhava pedindo e agradecendo a Deus. Chegou um momento que acreditei estar enlouquecendo, não aguentava mais, chorava muito, doía muito, eu realmente acreditava que não estava mais saudável.
Deus falava muito comigo nas Palavras (na igreja tem um momento que chamamos de Palavra), chorava, mas não esqueço de quando Deus falou Ana, Deus te ama, você acha que tá enlouquecendo mas teu cativeiro está acabando, você é a coroa da pérola de Deus (detalhe, não conheço ninguém na igreja, entro e saio sem falar com ninguém do ministério). Aquele dia, senti algo muito bom, como se eu estivesse subindo, vi tudo branco, pelo menos é essa a sensação que eu tenho. Mal via as pessoas, mas tive medo daquela sensação, mas acho que se eu não tivesse medo eu teria ido embora, não sei pra onde, mas teria. Passaram alguns anos continuei tendo fé, só que parecia que estava perdendo a sanidade e Deus sempre falando comigo.

A minha última crise foi dentro do box, no chuveiro, já não aguentava mais, vi um redemoinho cinza em cima da minha cabeça como se todos o medos e sensações viessem de uma vez. Detonei o box com um soco e um chute. Não esqueço, minha mãe entrou e eu disse, "Me larga, que eu quero falar com Deus", naquele momento chorei, orei e falei com Deus que não aguentava mais, que aquela seria a última crise, porque não suportava mais , tinha certeza que se tivesse mais uma, não estaria aqui escrevendo. Lembro que tive dois arranhões. Fiquei como morta por quatro dias, era um feriado, não comia nem chocolate. Lembro que meus pais me levaram pra almoçar em Cotia e olhava o garçom e o invejava, queria ter uma vida como a dele, nossa como eu desejava estar despreocupada como ele. Doeu muito, emagreci bastante naqueles quatro dias. Mas fiquei salva. Deus me libertou daquela doença tão terrível e insuportável, e não lembro quando mas na Palvra Deus havia me dito que me cativeiro ia durar sete anos e aos dezesseis anos do mesmo jeito que a doença veio, foi embora.

Depois, desse pior momento da minha vida, dei espaço para as crises de síndrome do pânico de novo, e comecei a me sentir sufocada em lugares fechados como a sala de aula, elevadores e metrô, e lugares cheios, enfim. Mas estava levando, fiz faculdade de artes cênicas, fiquei bem, fiz uma viagem de dois meses longe dos meus pais, tive uma crise de bronquite nem contei pra eles, fiquei ótima, mas quando voltei, voltei com o triplo de medo e até medo de entrar em palco eu tive, desmaiei segundos antes de entrar em cena. Foi quando comecei a tomar antidepressivos e ansiolítcos para dormir, porque também tinha crises de insônia.
Voltei a fazer terapia, só que agora faço por gosto e sinto que estou me descobrindo a cada sessão e em uma dessas sessões que descobri que tive depressão profunda, pra mim era só síndrome do pânico. Pode parecer estranho, mas entender um pouco o que passei me faz mais tranquila internamente, embora esteja aparentando um pouco mais pimenta.

Meio comprida essa postagem, mas precisava escrever. Talvez seja por eu ter tido tantas "crises", que teve uma hora falei "Ah, não, me dá um remedinho aí, chega". Eu adorava meus comprimidinhos e fazia apologia a nova geração de drogas. É eu amava as drogas por isso foi difícil me libertar delas.

Obs: Ainda preciso de uma ajuda química pra dormir, afinal ninguém é de ferro.